MP revela suspeita de extorsões e falsos flagrantes cometidos por policiais em prisões e mortes em Piracicaba
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Polícia Militar Polícia Militar Um relatório produzido pelo Ministério Público (MP) e obtido pelo g1 revela uma série de supostas irregularidades cometidas por policiais militares durante ações em Piracicaba (SP). O documento cita suspeitas de extorsões, simulação de flagrantes e fragilidades de provas em casos de prisões e mortes decorrentes de intervenção policial. De acordo com o MP, o relatório foi elaborado a partir do aumento desses episódios, principalmente em 2025. Com isso, a Promotoria avaliou a dinâmica de casos relacionados a esses contextos e elaborou recomendações para diferentes órgãos. A análise constatou que a taxa de letalidade policial em Piracicaba era menor do que a do estado em 2024, mas passou a estar acima em 2025. Especialistas ouvidos pelo g1 no início de 2026 consideraram "fora da normalidade" esse crescimento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Simultaneamente a isso, no último dia 13 de janeiro deste ano, o MP encaminhou à Corregedoria da Polícia Militar um suposto crime de extorsão e de simulação de flagrante cometido por policiais militares contra uma determinada pessoa. Agora no g1 O caso motivou, em 11 de fevereiro, o cumprimento de dez mandados de busca e apreensão contra policiais militares. Após esse primeiro atendimento, a Promotoria recebeu informações de pelo menos outros três casos de supostas extorsões cometidas por policiais militares, em circunstâncias similares à anterior. O nome dos agentes envolvidos nas ações não foi divulgado. Padrões que fragilizam provas Ao analisar casos envolvendo mortes causadas por intervenção policial, o Ministério Público afirmou que provas evidenciaram "como a combinação entre ausência de registro objetivo, demora documental e manejo indevido de vestígios produz um cenário de fragilidade probatória". No relatório, são apontadas divergências entre depoimentos dos agentes com as provas obtidas durantes investigações. Ainda segundo o MP, documentos vinculados a prisões em flagrante revelaram padrões com chance de fragilizar provas judiciais. Entre esses padrões, destacam-se: Indícios consistentes de irregularidade, em ao menos um dos casos, na entrada da polícia na casa de alguém; A recorrência de alegações de "plantio/forjamento" de objetos como armas e drogas; A crescente dependência de prova audiovisual, como câmeras de terceiros e registros externos; A presença de imputações graves com indicação de apuração da Corregedoria. Recomendações O relatório do MP foi encaminhado para os seguintes órgãos: Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo Comando-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo Comando de Policiamento do Interior (CPI-9); 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior Delegacia Seccional de Polícia de Piracicaba (Polícia Civil); Polícia Técnico-Científica – Instituto de Criminalística/IML; Direção do Foro da Comarca de Piracicaba Secretaria Executiva da Promotoria de Justiça Militar. O documento indica a importância da implementação de câmeras corporais pela Polícia Militar em Piracicaba e lista uma série de outras recomendações a serem adotadas pelos órgãos, como: Registro cronológico padronizado dos horários relevantes relacionados aos casos Reforço expresso do dever de preservação do local e de não alteração do estado de coisas até a chegada da autoridade policial e da perícia; Vedação de circulação não essencial em cena sensível, com identificação mínima dos agentes que ingressaram no local antes da perícia; Rotina de preservação e requisição célere de mídias externas pela Policia Civil (câmeras particulares/comerciais/vizinhança), com registro formal da diligência; Auditoria periódica, em ocorrências selecionadas, para aferição de aderência aos protocolos. O que dizem os responsáveis Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que acompanha permanentemente os indicadores relacionados às mortes decorrentes de intervenção policial e analisa o contexto de cada ocorrência e a legalidade da atuação policial. Sobre os dados de Piracicaba, a secretaria disse que encaminhou ao Ministério Público um estudo técnico sobre o cenário das ocorrências de oposição à intervenção policial, o recrudescimento da ação criminosa na região e as medidas adotadas pela Polícia Militar para análise das condutas dos agentes. A pasta ainda ressaltou que mantém os dados em transparência ativa e responde regularmente às solicitações dos órgãos de controle, informando as circunstâncias das ocorrências, as medidas de preservação da vida adotadas, os procedimentos instaurados e as comunicações às autoridades competentes. "Além disso, a PM mantém o Sistema de Supervisão e Padronização Operacional (SISUPA), responsável pela elaboração, revisão, treinamento e supervisão dos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), com foco na segurança, na padronização e na qualidade da atividade policial", complementou. O g1 também pediu um posicionamento à Polícia Militar, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Veja mais notícias sobre a região em g1 Piracicaba